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IMPLEMENTAÇÃO DE MUDANÇAS

Depois de anos de reengenharia, downsizing e afins perguntou-se onde estava o retorno sobre os investimentos, a globalização ajudando a colocar o ponto de interrogação.
O desenvolvimento tecnológico numa aceleração nunca antes ocorrida, a informação cada vez mais acessível, a crescente incerteza na macroeconomia, a concorrência cada vez mais acirrada, o fator ecológico, mudanças culturais em períodos cada vez mais curtos, entre outros fatores, exigiram nas empresas  a implementação de novos processos empresariais bem como o desenvolvimento das competências pessoais e interpessoais.

Todas as implementações implicam em mudanças, sendo necessário um preparo anterior das condições culturais da empresa, para que não se percam pelo caminho ou se mostrem ineficazes.

Como uma semente, para gerar uma árvore forte e sadia necessita ser de primeira qualidade, o contingente humano empresarial também. Além disso a semente terá que ser plantada em terreno fértil (na empresa, seus micro e macro-ambientes), senão sua qualidade intrínseca não se reverterá naquela árvore necessária.
É normalmente no "terreno" que encontram-se as maiores dificuldades para "plantar-se" o "processo implementar".

Dentre essas dificuldades, como falta de consenso, falta de comprometimento total e irrestrito e outras, merecem ser citadas a cultura organizacional e o pensamento linear e cartesiano.

A cultura organizacional pode ser considerada em seus aspectos patente e latente. O primeiro procura mostrar como a empresa deseja aparecer em seus aspectos visíveis e mensuráveis.
O segundo é o "lado de dentro", não tão visível e ainda menos quantificável.
Pensando-se num iceberg, a empresa seria sua totalidade, a cultura patente a parte visível, acima do nível da água e a cultura latente a parte submersa.

Colocando-se isto em termos de polaridades a cultura patente seria o pólo da ordem e a latente o pólo da desordem, logicamente uma metáfora. Temos então o pólo organizado e o pólo da desordem . É nesse último que se encontram a aleatoriedade, os conflitos e os desejos de transformação, pois o pólo da desordem tende a ser o pólo organizante.

Ora, quando se fala em polaridade, de uma maneira simplista, subentendem-se dois pólos de características contrárias. Deste modo, a cultura patente, para manter seu status quo , reprime a latente. Quando esta repressão é excessiva, a cultura latente reage, aflorando sua energia criativa e modificadora.

Não há juízos de valor implícitos tanto na cultura patente como na latente. Uma não é melhor nem pior que a outra. São somente diferentes.

O que a empresa necessita é identificar os pontos em que o fluxo criativo está estrangulado, com o conseqüente desequilíbrio entre a dinâmica das culturas patente e latente, ou organizado e organizante. O ajuste para que a empresa atinja seu ponto cultural de equilíbrio sempre exige mudanças que devem ser efetuadas, de preferência anteriormente ao início da nova implementação.

Quanto à maneira de "pensar", ou raciocinar, dos participantes de uma mudança, a mesma não deve ser cartesiana ou linear, tipo: y = mx+b, onde para cada x existe um único y, o que não verifica-se no mundo real.

Deve-se, para melhores resultados, raciocinar em termos de sistemas, quebrando-se o todo em suas partes e analisar ambos, pois sem conhecer o todo não conheceremos as partes e sem conhecer as partes não conheceremos o todo. Isso porém não é suficiente, pois devemos entender perfeitamente como as partes se relacionam entre si e perceber que uma causa gera múltiplos efeitos . A criatividade fica facilitada e também pode-se obter efeitos de sinergia:

f(x+y) > f(x)+f(y)

Isso, no entanto não exclui o raciocínio linear, pois ele complementa o sistêmico. Este tipo de raciocínio dual, com certas restrições, dado o caráter meramente introdutório e geral deste texto, aproxima-se do que denomina-se de "pensamento complexo."

 O que é mais perfeito no universo é a natureza tal qual, e ela diz e mostra que semente boa em terra boa produz uma boa árvore. Otimize suas estratégias preparando o terreno e escolhendo a semente consistentemente. Formate as variáveis como sendo sistemas e raciocine em termos destes.

Não se esqueça de regar pois tanto o pensamento complexo como a cultura organizacional são dinâmicos e necessitam de fornecimento contínuo de energia.

Ligue a visão à ação, pois visão sem ação é sonho e ação sem visão é passatempo. Faça isso com boas sementes e terrenos e prepare o futuro, o "lugar" onde sua empresa irá viver para sempre.

  Paulo Godoy
14.11.98

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