Final de um relacionamento, novamente encontro comigo mesmo e por mais que eu amadureça, acredito que nunca deixarei de sentir a falta do carinho, do toque de pele, do aconchego, do beijo ...é o que faz sentir-me humana.

Choro baixinho, para aliviar a angustia do sentimento partido, da desilusão, da decepção.

Eu sei que nada devo esperar de alguém, quem quer que seja. Só teoria, acabo na expectativa de um grande amor.

Penso, vou ficar bem velhinha ao lado e junto vamos curtir de mãos dadas, todas as alegrias que a vida possa oferecer e ainda que a tristeza nos envolva, juntos saberemos vencer.

Será que este devaneio é só meu? Olho em volta e vejo tanta gente só, porque ainda espero que o encontro de alma aconteça?

Sinto que encontrar alguém é muito fácil, mas que difícil o encaixe das situações sociais, das necessidades existenciais.

Logo já se aproxima o sentimento de posse e tudo vai se desmoronando, o amor aos poucos se dissolve e o que fazer? Acordos? Não resolve.

Quando chegamos a esse ponto, significa que não houve o encaixe. Dispensaria-se os acordos se o encaixe sincrônico acontecesse.

Faltou o principio da amizade. Aquela amizade, onde só o outro é importante, se precisou enganar-me, omitir-se, já é um sinal de desvio na amizade e ...

Neste ponto, acabou. Acordo, nem pensar, mudar o outro, jamais, o melhor é acabar, o que nunca começou a funcionar, por esta estrada nunca se chegará, haverá muitos desvios e muitas curvas, das quais não desejo passar.

Estou chorando muito, muito mesmo, pela frustração da expectativa criada, na esperança de um encontro de amor, amor humano, onde a base é troca, troca de carinho, de afago de beijo, no contato macio do corpo, troca na cumplicidade dos nossos mais íntimos segredos, do ombro amigo, do olho no olho e o poder da palavra imantada de energia EU TE AMO.

Mais uma vez, errei penso, não consegui, que aprendizado devo tirar de mais esta lição? Volto-me para a micro esfera, fico comigo mesmo e choro, é a minha criança sofrida, que deseja ser acolhida.

Neste desencontro frustrante, percebi o amor em meu choro, na angustia, na dor, parece que nem sempre o amor é riso, é encontro, é prazer, é principalmente aceitar a pequenez, a incompetência, em saber escolher. Escolho agora a solidão, para minha alma feminina se acolher

Sônia Braga Urbano

08/05/2005

  Indique esta página!

 

Todos os Direitos Autorais reservados à Autora