Pedro chegou em casa trazendo algo nas mãos. Seu filho, Lucas, correu para abraçá-lo: _ O que é isso, pai? O pai respondeu:
_ É a muda de árvore da sua irmãzinha Letícia que nasceu ontem.
_ Como assim pai? Árvore da Letícia por quê??!!
_ É uma longa história, meu filho. Sabe aquela árvore que você tem lá no quintal e que eu mandei você cuidar? E as outras árvores que tem lá, formando uma pequena floresta?
_ Sei, sim, mas o que é que elas têm a ver com isso?
_ Tudo começou há muitos anos atrás, no tempo do seu bisavô...
_ Meu bi... bi... o que?!
_ Seu bisavô era o meu avô, pai do meu pai.
_ Pai, agora deu um "nó" na minha cabeça. É verdade mesmo que você já teve avô?!
_ Claro! Você está me chamando de velho é?
_ Não pai, é que uma pessoa grande como você não parece que já teve avô!
_ Está bem, Lucas, agora deixa eu contar:
_ Quando meu avô, que era seu bisavô, se casou, ganhou do pai um terreno para fazer uma casa que, por sinal, é esta que moramos. O único pedido que lhe fez foi que nunca derrubasse a árvore que havia no terreno, e que meu avô a deixou ficar lá no meio do quintal. Vamos lá que eu mostrarei para você.
Pai e filho foram até o quintal da casa onde havia várias árvores. Ao chegar embaixo de uma das árvores, o pai recomeçou a explicação: " aqui está a árvore do meu avô. Logo que o primeiro filho do meu avô nasceu, o meu bisavô, dono da árvore, faleceu. Meu avô, muito triste, resolveu fazer-lhe uma homenagem: plantar uma árvore para que o filho que acabara de nascer cuidasse dela, lembrando assim do avô que nem chegara a conhecer. O mesmo aconteceu quando seus outros filhos nasceram, inclusive meu pai.
Através do meu bisavô, meu avô aprendeu a importância de preservar a natureza e passou a ensinar seus filhos a fazerem o mesmo, pois acreditava que, se cada um tivesse uma árvore, nunca devastariam a natureza. Meu avô teve dez filhos, portanto, plantou dez árvores, cada uma com o nome do seu proprietário gravado no tronco.
Meu avô pediu a cada um dos seus filhos que continuasse a tradição. Foi o que meu pai fez: meu irmão e eu temos as nossas árvores. Meus tios, mesmo não morando aqui nesta casa, plantaram uma árvore para cada filho que nasceu. Desta forma, esta pequena floresta foi se formando.
Continuando a tradição da família, quando você nasceu, plantei a sua árvore e seu tio plantou a da Mariazinha e do Carlinhos, seus primos. Agora vou plantar a árvore da Letícia. Quando você, sua irmã e seus primos crescerem e também tiverem seus filhos, espero que continuem fazendo esta floresta crescer, plantando, para cada pessoa que nascer, uma árvore. Esperamos que, dessa forma, todos aprendam a cuidar da natureza, assim como todas as gerações de nossa família aprenderam".
Terminando o relato, Pedro, com lágrimas nos olhos, deu um longo abraço no filho, lembrando do dia em que seu pai fizera o mesmo com ele. Tantos anos se passaram! Agora do pai só restam a saudade e os ensinamentos transmitidos "de geração a geração".
Ainda abraçados, pai e filho seguiram juntos para o local onde mais uma árvore seria plantada, dando continuidade àquela linda "floresta genealógica".

Alyne Cavalcante Valença – 12 anos

 

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